Análise da música Palmares - Natiruts

A história do negro no Brasil durante muito tempo foi contada pelo branco, que sempre a escreveu da forma mais interessante para ele.

Com esse pensamento que a música "Palmares" da banda Natiruts acaba nos trazendo a história do negro.


Abaixo temos uma análise histórica da música.



Natiruts
Palmares






A cultura e o folclore são meus
Mas os livros foi você quem escreveu
Quem garante que palmares se entregou?
Quem garante que Zumbi você matou?

Trecho da música está retratando a ideia que a história e contada pelos "vencedores". Podemos observar dois fatos históricos nesse trecho um quando fala que palmares se entregou devido a posição de Ganga Zumba em fazer um acordo com a Capitania, posição que Zumbi foi contra e se tornando líder de Palmares e assim continuando a luta de resistência. Já na última estrofe vemos uma referência a lenda de que Zumbi seria imortal, história que se tornou muito conhecida na época pela dificuldade que a Capitania teve de capturar e matar Zumbi dos Palmares.

Perseguidos sem direitos nem escolas
Como podiam registrar as suas glórias?
Nossa memória foi contada por você
E é julgada verdadeira como a própria lei

Como os escravos dificilmente eram alfabetizados, muito de sua história acabou sendo repassada apenas de forma oral e se perdendo ao longo do tempo. Dessa forma a história do Brasil foi contada pelo opressor, que na maioria das vezes glorificou os personagens brancos e criminalizou os personagens negros. Um fato bastante conhecido na nossa historiografia e o livro Casa Grande e Senzala de  Gilberto Freyre, que embora seja uma ótima fonte histórica comete muitos erros a este respeito.

Por isso temos registrados em toda história
Uma mísera parte de nossas vitórias
É por isso que não temos sopa na "cuié"
E sim anjinhos pra dizer que o lado mal é o candomblé

A história do negro sempre foi relatada muitas vezes de forma pejorativa, identificando sua cultura e religião como sendo algo relacionado ao diabo. Esse pensamento ainda é muito visto até os dias de hoje e muita coisa se enraizou na nossa cultura principalmente nas nossas fala quando dizemos por exemplo: "A coisa da preta", "Humor negro" etc...

Mas...
(Refrão)
A energia vem do coração
E a alma não se entrega não (4x)

O negro nunca se entregou as dificuldades e conseguiu manter sua cultura e religião viva até os dias atuais. O trecho nos faz referência a alma do negro que era considerado durante muito tempo pela igreja católica como não tendo alma motivo que serviu para justificar a escravidão.

A influência dos homens bons deixou a todos ver
Que omissão total ou não
Deixa os seus valores longe de você

O Brasil foi o último país a abolir a escravidão, quando isso ocorreu muitos membros da sociedade já desejava isso, principalmente os liberais, mas sempre existiu uma preocupação individualista dos membros da sociedade em relação a quem iria trabalhar por eles, Essa preocupação foi sempre colocada a cima dos valores de muitos cidadãos que via com o fim da escravidão a ruína do Estado. 

Então despreza a flor zulu
Sonha em ser pop na zona sul
Por favor não entenda assim
Procure o seu valor ou será o seu fim

No trecho o autor realiza uma valorização da autoestima do negro. A zona sul é no Rio de Janeiro o local mais fraquentado pela elite branca, que fraquenta as praias como Copacabana e Leblon. Nessas regiões durante muito tempo o negro sempre foi mal visto. Embora fraquentar essas regiões seja um sonho para qualquer um a música expõem que muitas vezes o negro acaba perdendo sua identidade para poder frequentar certos locais

Por isso corre pelo mundo sem jamais se encontrar
Procura as vias do passado no espelho mas não vê
E apesar de ter criado o toque do agogô
Fica de fora dos cordões do carnaval de salvador

Podemos ver nesse trecho final da música um link do começo da música falando da falta do registro da história do negro que acaba se refletindo no presente como uma falta de uma identidade mais firme de suas raízes 

(Refrão)
A energia vem do coração
E a alma não se entrega não(4x)


O negro nunca se entregou as dificuldades e conseguiu manter sua cultura e religião viva até os dias atuais. O trecho nos faz referência a alma do negro que era considerado durante muito tempo pela igreja católica como não tendo alma motivo que serviu para justificar a escravidão.




Sobre o Autor:
Felipe Carreira
Felipe Carreira. Historiador e técnico em informática. Especialista em uso de mídias e tecnologias em educação. Estuda sobre a pirataria no Atlântico com ênfase no século XVII e XVIII. Criador deste espaço virtual para o GEACB. Produz vídeos e documentários sobre a História da América,.

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