Livro: A que custo? O capitalismo (moderno) e o futuro da saúde
Autor: Nicholas Freudenberg
Editora: Elefante
Ano: 2022
Quais os custos individuais e sociais do capitalismo? Quais impactos na saúde física e mental de trabalhadores, homens e mulheres, das grandes corporações? Como construir alternativas sólidas e coletivas de resistência e enfrentamento ao sistema? Essas e outras questões importantes são abordadas no livro “A que custo? O capitalismo (moderno) e o futuro da saúde”, escrita pelo professor de saúde pública da Universidade da Cidade de Nova York Nicholas Freundenberg.
Ao longo de mais de 500 páginas, o professor Freundenberg destrincha o custo social, ambiental, físico e mental que o capitalismo moderno vem causando na humanidade. Para isso, o autor divide o livro em cinco “pilares da saúde”: alimentos, educação, sistema de saúde, trabalho, mobilidade urbana e relações sociais. Em cada um destes cinco pilares, Freudenberg analisa os impactos nocivos do capitalismo, tal como está estruturado hoje: grandes corporações, redes sociais que promovem o individualismo e o consumismo, trabalho precarizado, privatização da saúde pública etc. Publicado originalmente em 2021, o autor traz também os impactos da pandemia global de covid-19 nos seus 5 pilares da saúde.
Embora a obra tenha um foco maior nos Estados Unidos, é perfeitamente possível fazer associações com o Brasil, visto que aqui também se adotou um receituário neoliberal para gerir o capitalismo brasileiro.
TRECHOS DO LIVRO:
“A crise financeira de 2008 poderia ter sido um ponto de virada. Poderia ter levado o povo e o governo dos Estados Unidos a examinar de maneira mais detida se a crescente influência da economia de mercado na vida cotidiana precisava mudar. Mas não houve mudança. Em vez disso, durante a última década testemunhamos a deterioração da saúde de muitos estadunidenses, o endividamento crescente, a desigualdade sistemática, o aumento da mão de obra com baixos salários, a desconfiança da maioria das instituições sociais, conflitos políticos aparentemente irreconciliáveis e o agravamento do aquecimento global. Poderá o declínio econômico global desencadeado pela pandemia de covid-19 proporcionar outra oportunidade para construir alternativas?” (p. 42).
“As longas jornadas de trabalho, as tarefas de cuidado da casa e dos filhos e o tempo necessário para alocar recursos limitados para assegurar a sobrevivência do ambiente familiar impõem, muitas vezes, um sentimento de urgência tempora aos trabalhadores mal-remunerados, uma sensação associada a problemas de saúde mental e física […]. Tanto os ricos quanto os pobres experimentam a escassez de tempo, mas os ricos podem comprar tempo de volta no mercado. Podem, por exemplo, pagar empregadas domésticas para limpar a casa, babás para cuidar dos filhos e contadores para elaborar a declaração de impostos. Para os trabalhadores mal-pagos, o fardo adicional da escassez de tempo esgota ainda mais a capacidade de proteger a saúde” (p. 318).
“Hoje, embora o capitalismo global tenha características próprias, ele não é monolítico ou homogêneo, mas varia ao longo do tempo e lugar. Cada variante tem arranjos diferentes para o que é público, o que é privado e quem decide o quê, e cada variante é forjada por interações locais e nacionais entre forças sociais concorrentes” (p. 464).



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