O nordeste brasileiro insurgente: o exemplo da Revolução Pernambucana de 1817


Texto publicado originalmente no Jornal de Viamão (http://www.jornaldeviamao.com.br/) e disponível em http://jornaldeviamao.com.br/na-batalha-das-ideias/


O ilustre intelectual Oliveira Lima considerava a Revolução de Dezessete a única revolução brasileira digna do nome, e Câmara Cascudo dizia que foi a mais linda, inesquecível, arrebatadora e inútil das revoluções brasileiras. Os dois classificaram o acontecimento de seis de março em Pernambuco como uma revolução. E, ainda assim, a Revolução Pernambucana de 1817 é desconhecida entre nós. Quando falamos em Revolução de 17, nos vem a mente a Revolução Soviética, que aliás bem que poderia ser considerada como algo ocorrido desde 1905, com o Domingo Sangrento. Até quando iremos continuar desconhecendo a nossa História?

A Revolução Pernambucana de 1817 aconteceu quando éramos Reino Unido de Portugal, Brasil e Argarve.

Esse episódio merece a alcunha de revolução, ou é mais justo com a sua História, tratá-lo como rebelião, revolta, levante, intentona, insurgência? Quando o povo e os soldados armados depuseram o governador, e esse povo era formado por cerca de quatrocentas pessoas, de todas as cores, mal vestidos, todos vitimados pela fome, pela carestia e pela seca? Era impossível para os naturais da América Portuguesa mudar de classe social, pois o comércio somente era permitido aos portugueses. O movimento tomou o poder e logo estabeleceu um Governo Provisório que foi eleito, e passou a mediar todos os setores da economia. Fizeram parte deste movimento Frei Caneca e Pedro da Silva Pedroso, um revolucionário de três revoluções: 1817 e 1823 em Pernambuco, e 1824 na Confederação do Equador. Pertencente a Terceira Companhia do regimento de Artilharia, foi um proselitista da causa negra, promovendo a primeira lei abolicionista da História do Brasil.

Mas este movimento que durou apenas três meses, também gerou a primeira presa política, que foi a primeira presidenta do Brasil, a Bárbara de Alencar, futura avó de José de Alencar, que presidiu a República do Crato. Foi influenciado por acontecimentos pretéritos, como a Revolução Haitiana, a Revolução Francesa, a Independência dos Estados Unidos da América, a seca, a maçonaria e a vinda da família real para a colônia. Pernambuco era à época, a vanguarda das idéias iluministas no Brasil Colonial e pioneira na nossa independência. Pela primeira vez o Brasil apareceu como país autônomo na imprensa internacional.

Há controvérsias sobre quais províncias apoiaram o movimento, sabe-se que Rio Grande do Norte, Ceará, Paraíba e Alagoas aderiram ao que também ficou conhecido como Revolta dos Padres. Foram muitas províncias que se insurgiram durante a vigência do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, ganhando destaque o nordeste brasileiro.

Sobre o Autor:
Rafael Freitas
Rafael da Silva Freitas: Nasceu no dia 29 de dezembro de 1982 em Santa Maria, RS. Historiador. Membro Permanente e fundador do Grupo de Estudos Americanista Cipriano Barata. Produtor e radialista do programa "História em Pauta" na rádio A Voz do Morro. Colunista no Jornal de Viamão.

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