Músicas com a temática Getúlio Vargas


Getúlio Vargas foi um grande estadista brasileiro que deixou saudades, não apenas após a sua morte, mas também para as gerações futuras.

A música brasileira ao longo dos anos fez diversas homenagens a esse estadista que marcou seu nome na história do Brasil.

1. 24 de agosto - Teixeirinha




Música de Teixeirinha, que fala sobre a morte de Getúlio Vargas. Na música podemos observar um pouco do carinho que o brasileiro tinha por Getúlio Vargas e como a morte do presidente deixou a nação em profunda tristeza.


2. Revolução de Getúlio Vargas: 1930 - Zico Dias e Ferrinho




Música rara composta na década de 30, para "noticiar" a chegada de Getúlio Vargas a presidência do Brasil. Podemos observar a importância que a música tinha naquela época para deixar o povo consciente dos acontecimentos do Brasil. 

3. TRABALHADORES DO BRASIL / A ÉPOCA DE GETÚLIO VARGAS - Portela



Samba enredo falando sobre os anos de política de Vargas enfocando o crescimento industrial. A música faz também referência ao posicionamento do povo em relação ao Estado Novo.

4. O Grande Presidente - Estação Primeira de Mangueira 1956



Outro samba enredo, que faz uma pequena biografia de Vargas expondo sua história política. Samba criado alguns anos após a morte de Vargas, ainda no calor dos acontecimentos de sua morte. 

5. A GRANDE PERDA DO BRASIL - GILDO DE FREITAS



Música cantada pelo grande cantor nativista gaúcho Gildo de Freitas. Música que fala sobre a morte de Getúlio Vargas exaltando Vargas como um altruísta da nação que preferiu a morte do que ver seu povo em guerra.

No último governo Vargas teve grandes dificuldades para governar a nação sendo pressionado a renunciar ao cargo de presidente.



6. Getúlio Vargas - Adoniro José



Na música cantada por Adoniro José, nos traz um pensamento de que na época de Vargas e Juscelino não havia pobreza.

7. G e Ge (Seu Getúlio) 1931 - Almirante & Bando de Tangarás


Marchinha criada em 1931 logo após a revolução de 30, podemos observar o carinho que o povo brasileiro tinha por Getúlio Vargas.

8. Dr. Getúlio - Chico Buarque



Na música podemos fazer uma pequena análise do que foi os anos de governo de Vargas é o carinho que ele deixou no povo.


Sobre o Autor:
Felipe Carreira
Felipe Carreira. Historiador e técnico em informática. Especialista em uso de mídias e tecnologias em educação. Estuda sobre a pirataria no Atlântico com ênfase no século XVII e XVIII. Criador deste espaço virtual para o GEACB. Produz vídeos e documentários sobre a História da América,.

Análise da música Dr. Getúlio - Chico Buarque

Getúlio Vargas foi um dos maiores estadista que o nosso país já teve, sendo retratado em várias músicas ao longo dos anos. 

Chico Buarque na música Dr. Getúlio conseguiu retratar muito bem o que foi a "Era Vargas" e o carinho que o povo teve por esse presidente 

Dr. Getúlio - Chico Buarque



Foi o chefe mais amado da nação
Desde o sucesso da revolução
Liderando os liberais
Foi o pai dos mais humildes brasileiros
Lutando contra grupos financeiros
E altos interesses internacionais
Deu início a um tempo de transformações
Guiado pelo anseio de justiça
E de liberdade social
E depois de compelido a se afastar
Voltou pelos braços do povo
Em campanha triunfal

Getúlio Vargas chega ao poder através da revolução de 30. A revolução de 30 era formada principalmente por profissionais liberais que não se viam representados no governo federal pelo sistema de Oligarquias que estava implementado. 
No seu tempo no poder Vargas lutou contra vários grupos internacionais principalmente a respeito da exploração do petróleo. 

Abram alas que Gegê vai passar
Olha a evolução da história
Abram alas pra Gegê desfilar
Na memória popular


Trecho da música que foca principalmente no carinho que a população tinha por Vargas que era chamado de Gegê.


Foi o chefe mais amado da nação
A nós ele entregou seu coração
Que não largaremos mais
Não, pois nossos corações hão de ser nossos
A terra, o nosso sangue, os nossos poços
O petróleo é nosso, os nossos carnavais
Sim, puniu os traidores com o perdão
E encheu de brios todo o nosso povo
Povo que a ninguém será servil
E partindo nos deixou uma lição
A Pátria, afinal, ficar livre
Ou morrer pelo Brasil

Trecho que nos remete a política de Vargas principalmente durante o Estado Novo. Com uma política protecionista e um crescimento na industrialização no Brasil, Vargas acabou ganhando a admiração de boa parte da população, criando o salário mínimo e consolidando as leis trabalhistas.  
Admiração essa que foi vista após sua morte com vários protestos em todo o Brasil.

Abram alas que Gegê vai passar
Olha a evolução da história
Abram alas pra Gegê desfilar
Na memória popular

Trecho da música que foca principalmente no carinho que a população tinha por Vargas que era chamado de Gegê. 



Para Finalizar:

Getúlio Vargas foi um dos maiores estadista que esse país já teve, e um dos mais queridos pela população brasileira. 


A música aqui nos retrata bem essa admiração que Getúlio ganhou perante o povo, mesmo tendo muitas dificuldades nos seus últimos anos de presidência e sendo atacado por políticos que queriam sua renúncia Vargas nunca deixou de ter o carinho popular.


Sobre o Autor:
Felipe Carreira
Felipe Carreira. Historiador e técnico em informática. Especialista em uso de mídias e tecnologias em educação. Estuda sobre a pirataria no Atlântico com ênfase no século XVII e XVIII. Criador deste espaço virtual para o GEACB. Produz vídeos e documentários sobre a História da América,.

Getúlio Vargas (frase)

“Povoar não é somente acumular elementos humanos em determinada região.”



Getúlio Vargas


Getúlio Vargas (frase)

“A metade de meus homens de governo não é capaz de nada e a outra metade é capaz de tudo.” 




Getúlio Vargas


Getúlio Vargas (frase)

“Acabaram-se os intermediários entre o Governo e o Povo” 




Getúlio Vargas


Getúlio Vargas (frase)

“O verdadeiro sentido de brasilidade é a marcha para o Oeste”


Getúlio Vargas



Programa História em Pauta Nº 52 (Era Vargas)

No História em Pauta n° 52 conversamos e debatemos sobre a Era Vargas. Foi um programa bastante interativo, com participações dos professores Raul Junior Rebello Vital, Lúcio Júnior Espírito Santo, Ana,Luciana Soares, Pablo Silva, e de Rodrigo Rodrigues e Jéssica. O referencial teórico foi Leoncio Basbaum, historiador brasileiro, sinceramente panfletário. Os assuntos foram a atualidade da Era Vargas; a política externa panamericanista ou independente de Getúlio Vargas; a perseguição as esquerdas e aos estrangeiros; campos de concentração durante a Era Vargas; o ex presidente como um ditador que criou a democracia representativa de nosso país; comparações entre Getúlio e Jango, entre os governos de Dutra e de Lula, entre República Velha e Era Vargas; seus paradoxos; os golpes por ele realizados e contra ele praticados; o seu suicídio; além de muitas sugestões de leituras e reflexões sobre uma questão do ENEM de 1999 abordando o conteúdo dessa reunião de estudos. O vídeo foi produzido por Felipe Carreira, contendo fotografias da gravação no estúdio da rádio comunitária A Voz do Morro e citações do “pai dos pobres”. A apresentação foi de Fábio Melo e Rafael Freitas.

Confira algumas das falas dessa edição do História em Pauta, programa que é a tua cara e a tua História!

Fábio Melo: “O petismo pode ser dito como esquerda neo liberal. Em 89, o Lula já defendia o final da CLT, a livre negociação entre empregados e patrões, o que hoje está sendo muito discutido com o nome reforma trabalhista. Reforma anti trabalhista, na verdade. Mas o Lula já defendia isso em 89. Isso mostra que a História escreve certo por linhas tortas. Se naquela época o Lula era tido como um grande avanço no campo social e popular, hoje a gente vê que tudo aquilo que o PT pregava está comprometido com o neo liberalismo.”

Rafael Freitas: “Qual é a atualidade do assunto era Vargas? A unidade de toda a Era Vargas foram as leis trabalhistas. Mas há outro ponto que une todo esse período, que é o Estado como mediador de todas as classes na economia. Se diz que Getúlio Vargas tutelava os trabalhadores. Isso é correto. Mas é incompleto. Porque ele tutelava também as oligarquias e os industriais. Ele fez várias instituições de Estado para mediar a relação da economia com essas classes. E isso vale para todas as classes. Dessa forma, ele aumentou os gastos públicos e aumentou o Estado em uma época de crise internacional do capitalismo. E olha a diferença da forma que o governo de hoje enfrenta a crise, de modo a aprofundar essa crise!”


Getúlio Vargas (frase)

“O ódio, as infâmias, a calúnia não abateram meu ânimo. Eu vos dei a minha vida. Agora vos ofereço a minha morte. Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na História”


Getúlio Vargas


Análise da música "24 de Agosto" - Teixeirinha

Getúlio Vargas foi um dos maiores presidentes que o Brasil já teve, com uma morte trágica Vargas entrou não apenas para a história mas também para o coração do povo brasileiro. Após sua morte várias homenagens foram feitas a sua pessoa em todo o Brasil.

Abaixo temos a música "24 de Agosto" do cantor gaúcho Teixeirinha que retrata bem o amor e respeito que o brasileiro tinha por Vargas.


24 de Agosto
Teixeirinha

Vinte e quatro de agosto a terra estremeceu
Os rádios anunciava o fato que aconteceu
As nuvens cobria o céu, o povo em geral sofreu
O Brasil cobriu de luto, Getúlio Vargas morreu

No dia 24  de agosto Getúlio Vargas se suicidou, sozinho em seu quarto no Palácio do Cadete, Vargas atira no próprio peito. 
Na década de 50 os principais meios de comunicação eram o rádio e o jornal, que logo que ficaram sabendo da morte de Vargas divulgaram à noticia para todo o Brasil. 

Vocês ainda se recorda daquela grande eleição
Ele não queria mais ser o chefe da nação
Mas o Brasil lhe chamava vem cumprir sua missão
Foi por vontade do povo que a morte fez a traição

Vargas sempre foi considerado o "pai dos pobres", em seu governo implementou muitas melhorias para o trabalhador como as leis trabalhistas e a criação da Petrobras com o slogan "o petróleo é nosso". Com uma politica populista Vargas sempre foi muito bem visto pelos pobres. Na última eleição de Vargas seu apoio político era muito limitado o que colaborou para sua atitude de tirar a vida. 

O Brasil foi abalado foi triste no mundo inteiro
Todo mundo lamentando o destino traiçoeiro
Por ter vindo nos roubar o maio dos brasileiros
Getúlio deixou saudades foi bom e hospitaleiro

No dia seguinte a morte de Vargas a população demonstrou seu respeito e lealdade através de homenagens e  revoltas por todo o Brasil . Até as pessoas que não eram eleitores de Vargas fizeram homenagem.

Seu nome ficou na história pra nossa recordação
Seu sorriso era vitória da nossa imensa nação
Com saúde ele venceu guerra e revolução
Depois foi morrer a bala pela sua própria mão

Getúlio Vargas chegou ao poder através da Revolução de 30, que pôs fim a "Republica Velha" e implementando o "Estado Novo". Durante o seu tempo de Governo Vargas enfrentou a Revolução Constitucionalista 1932 realizada pela elite paulista e durante a Segunda Guerra Mundial Vargas mandou tropas para lutar na Itália.

O doutor Getúlio Vargas nos deixou grande saudade
Deus lá no céu é tão bom dele tenha piedade
Os corações brasileiros pede a Deus por caridade
Ampare ele nos seus braços lhe de paz na eternidade


Com o suicídio Vargas se tornou um mito, sendo lembrado para sempre na história do Brasil como um politico populista que fez muitas melhorias para o povo mais pobre.



Sobre o Autor:
Felipe Carreira
Felipe Carreira. Historiador e técnico em informática. Especialista em uso de mídias e tecnologias em educação. Estuda sobre a pirataria no Atlântico com ênfase no século XVII e XVIII. Criador deste espaço virtual para o GEACB. Produz vídeos e documentários sobre a História da América,.

Discurso do Presidente Getúlio Vargas - Dia do trabalho, em 1 º de maio de 1951



"- Trabalhadores do Brasil! 
Depois de quase seis anos de afastamento, durante os quais nunca me saíram do pensamento a imagem e a lembrança do grato e longo convívio que mantive convosco, vejo-me outra vez aqui, ao vosso lado, para falar com a familiaridade amiga de outros tempos, e para dizer que voltei a fim de defender os interesses mais legítimos do povo, e promover as medidas indispensáveis ao bem-estar dos trabalhadores. 
Esta festa de 1º de Maio tem para mim e para vós uma expressão simbólica: é o primeiro dia de encontro entre os trabalhadores e o novo governo, e é com profunda emoção, que retorno ao vosso convívio, neste ambiente de regozijo e de festa nacional, em que nos revemos uns aos outros, a céu aberto, e em que o governo fala ao povo, de amigo para amigo, na linguagem simples leal e franca com que sempre vos falei. 
- Trabalhadores do Brasil!

Não me elegi sob a bandeira exclusiva de um partido e sim por um movimento importante e irresistível das massas populares. 
Não me foram buscar na reclusão para que viesse fazer mera substituição de pessoas ou simples mudança de quadros administrativos. A minha eleição teve significado muito maior e muito mais profundo, porque o povo me acompanha, na esperança de que meu governo possa envidar nova era de verdadeira democracia social e econômica, e não apenas para emprestar o seu apoio e a sua solidariedade a uma democracia meramente política, que desconhece a igualdade social. 
Percam a ilusão os que pretendem separar-me do povo, ou separá-lo de mim: juntos estamos, e juntos estaremos sempre, na alegria e no sofrimento, nos dias de festa, como o de hoje, e nas horas de dor e de sacrifício. 
E, juntos, haveremos de construir um Brasil melhor, onde haja mais segurança econômica, mais justiça social, melhores padrões de vida, num clima novo de segurança e de bem-estar para este bom e generoso povo brasileiro."

Getúlio Vargas - 1 de maio de 1951


Carta testamento de Getúlio Vargas

"Mais uma vez, as forças e os interesses contra o povo coordenaram-se e novamente se desencadeiam sobre mim. Não me acusam, insultam; não me combatem, caluniam e não me dão o direito de defesa. Precisam sufocar a minha voz e impedir a minha ação, para que eu não continue a defender, como sempre defendi, o povo e principalmente os humildes.
Sigo o destino que me é imposto. Depois de decênios de domínio e espoliação dos grupos econômicos e financeiros internacionais, fiz-me chefe de uma revolução e venci. Iniciei o trabalho de libertação e instaurei o regime de liberdade social. Tive de renunciar. Voltei ao governo nos braços do povo. A campanha subterrânea dos grupos internacionais aliou-se à dos grupos nacionais revoltados contra o regime de garantia do trabalho. A lei de lucros extraordinários foi detida no Congresso. Contra a justiça da revisão do salário mínimo se desencadearam os ódios. Quis criar liberdade nacional na potencialização das nossas riquezas através da Petrobrás e, mal começa esta a funcionar, a onda de agitação se avoluma. A Eletrobrás foi obstaculada até o desespero. Não querem que o trabalhador seja livre.
Não querem que o povo seja independente. Assumi o Governo dentro da espiral inflacionária que destruía os valores do trabalho. Os lucros das empresas estrangeiras alcançavam até 500% ao ano. Nas declarações de valores do que importávamos existiam fraudes constatadas de mais de 100 milhões de dólares por ano. Veio a crise do café, valorizou-se o nosso principal produto. Tentamos defender seu preço e a resposta foi uma violenta pressão sobre a nossa economia, a ponto de sermos obrigados a ceder.
Tenho lutado mês a mês, dia a dia, hora a hora, resistindo a uma pressão constante, incessante, tudo suportando em silêncio, tudo esquecendo, renunciando a mim mesmo, para defender o povo, que agora se queda desamparado. Nada mais vos posso dar, a não ser meu sangue. Se as aves de rapina querem o sangue de alguém, querem continuar sugando o povo brasileiro, eu ofereço em holocausto a minha vida.
Escolho este meio de estar sempre convosco. Quando vos humilharem, sentireis minha alma sofrendo ao vosso lado. Quando a fome bater à vossa porta, sentireis em vosso peito a energia para a luta por vós e vossos filhos. Quando vos vilipendiarem, sentireis no pensamento a força para a reação. Meu sacrifício vos manterá unidos e meu nome será a vossa bandeira de luta. Cada gota de meu sangue será uma chama imortal na vossa consciência e manterá a vibração sagrada para a resistência. Ao ódio respondo com o perdão.E aos que pensam que me derrotaram respondo com a minha vitória. Era escravo do povo e hoje me liberto para a vida eterna. Mas esse povo de quem fui escravo não mais será escravo de ninguém. Meu sacrifício ficará para sempre em sua alma e meu sangue será o preço do seu resgate. Lutei contra a espoliação do Brasil. Lutei contra a espoliação do povo. Tenho lutado de peito aberto. O ódio, as infâmias, a calúnia não abateram meu ânimo. Eu vos dei a minha vida. Agora vos ofereço a minha morte. Nada receio. Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na História."



Getúlio Vargas


Carta testamento de Getúlio Vargas

Getúlio Vargas (frase)

"Ou a democracia capitalista, compreendendo a gravidade do momento, abre mão de suas vantagens e privilégios, facilitando a evolução para o socialismo, ou a luta se travará com os espoliados, que constituem a grande maioria numa conturbação de resultados imprevisíveis para o futuro"




Getúlio Vargas


REVOLUÇÃO DE 1930

Parte da historiografia brasileira tende a “isolar” o povo dos principais acontecimentos políticos do Brasil. Um exemplo disso é a Revolução de 1930. Historiadores vinculados a um tipo de marxismo político, que não encontra eco na empiria histórica, colocam em seu livros que a Revolução de 1930 foi um mero movimento das oligarquias gaúchas, mineiras e paraibanas contra a hegemonia paulista. Mas é preciso que se diga: ela foi muito mais que isso.

Negar a participação popular na Revolução de 1930, como se toda revolução popular fosse mérito apenas de comunistas e seus segmentos, é negar o próprio povo – e suas divisões em classes sociais capazes de formular de forma consciente alternativas para melhorar suas condições de existência. Para comprovar que houve mobilizações populares, de diversos segmentos (da pequena classe média até de proletários) basta uma rápida análise nas fotos da época.


Fotos [1] do centro de Porto Alegre durante os eventos da Revolução de 1930. Essa multidão que apoiou os revolucionários era composta apenas por oligarcas?


É preciso que os historiadores entendam definitivamente: a Revolução de 1930 foi a mais popular da história brasileira.

Há também a versão que a Revolução de 1930 foi apenas uma consequência da crise de 1929; e, neste sentido, uma luta do capital inglês (representado por Washington Luis) contra o capital estadunidense (representado por Getúlio Vargas). É certo que a economia colonial brasileira estava por demais integrada ao mercado internacional como exportadora de matérias-primas: café, açúcar, algodão, borracha, etc. Mas não se pode esquecer que há interesses nacionais em jogo, e que tinham a capacidade de se articular e pressionar politicamente. Em outras palavras, a crise de 1929 contribuiu para a Revolução de 1930, mas por si só não a explica completamente. De acordo com Bóris Fausto, um dos poucos historiadores que tem um estudo sério sobre a revolução, “dependência externa, crise de 1929, disputa de grupos internacionais pelo controle da América Latina são elementos que, ao mesmo tempo, modelam o país e, quando aqui se refletem, são modelados pelas características específicas da sociedade brasileira”[2]

Quanto a Getúlio Vargas representar os interesses do capital estadunidense, parece uma leitura totalmente fora do contexto econômico da época. A crise de 1929, afetou, e muito, os Estados Unidos, que ao longo dos anos 1930 tiveram que elaborar um plano de reconstrução econômica com participação ativa do estado: o New Deal de Franklin Roosevelt. O imperialismo yankee se retraiu dando, assim, a oportunidade de vários países da América Latina buscar alternativas de desenvolvimento econômico, cujo primeiro passo foi a substituição de importações – a partir da expansão das industrias nacionais. E ao mesmo tempo diminuir os efeitos da crise. Ademais, a própria história absolverá Vargas dessa leitura equivocada de ser um arauto do capitalismo estadunidense; a criação de estatais e das leis trabalhistas, bem como sua incessante luta contra a espoliação estrangeira chegarão ao sua culminância nos eventos de 24 de agosto de 1954.

Se a Revolução de 1930 não foi apenas um movimento oligárquico, tampouco unicamente uma consequência da crise de 1929, então o que foi?

Foi tudo isso e mais um pouco. Foi um movimento de alguns membros da política oligárquica com apoio de trabalhadores, capitalistas e socialistas. Um movimento de setores das oligarquias dissidentes que para além de sua classe social e de seus interesses enquanto classe, tinham ideias progressistas e nacionalistas para os rumos da sociedade brasileira. Um movimento de industriais capitalistas que imbuídos destes mesmos ideias nacionalistas queriam se livrar das correntes econômicas que os prendiam à oligarquia liberal-conservadora paulista, cuja política era voltada para a valorização do único produto que os mantinha no poder: o café. Um movimento de trabalhadores que apostou nas leis sociais do trabalho que a Aliança Liberal lhes propunha – colocadas em prática ao longo da década de 1930 e consolidadas na CLT de 1943.

Vamos pensar historicamente. Para entender a Revolução de 1930, devemos entender a conjuntura da sociedade brasileira durante os anos da República Velha (1889-1930).

Em fins do século XIX, o Brasil era o único país da América Latina que tinha um regime monárquico e escravista. Em 1888 os escravos foram “libertados”, representando a primeira contra- revolução do país[3] - observe que no Brasil a contra-revolução veio antes da revolução. Um ano depois, por influência e articulação dos fazendeiros paulistas, liberais economicamente e conservadores socialmente, um golpe militar transformou o país numa república federalista. Um federalismo conservador. Os estados tinham tanta autonomia que os governadores se chamavam presidentes. Para se ter uma ideia não existiam partidos nacionais como nos dias de hoje; havia o Partido Republicano Paulista, Partido Republicano Mineiro, Partido Republicano Rio-grandense, Partido Republicano Paraibano... mas não havia um “Partido Republicano Nacional”!

Neste cenário, quem mantinha o poder econômico abocanhou o poder político. O café era a principal fonte de receitas para o país e o federalismo extremo anulava qualquer tipo de política de estado à nível nacional. Sendo assim, a oligarquia paulista, responsável pela produção do principal produto de exportação do país, articulava com outros estados para o jogo das eleições e pela manutenção de seus interesses.

Obviamente, esse sistema tinha tudo para se esgotar facilmente. Impressiona, entretanto, que tenha durado mais de quatro décadas. As oligarquias estaduais volta e meia mostravam seu descontentamento com a política federal nas mãos dos paulistas. Um exemplo disto pode ser encontrado na chamada “Reação Republicana”. Este movimento englobou os estados do Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Pernambuco e Bahia, que lançaram Nilo Peçanha à presidência, no ano de 1922, contra o candidato da articulação paulista e mineira, Arthur Bernardes. Esta campanha presidencial foi uma das mais acirradas da República Velha, e os candidatos, percebendo a importância cada vez maior das cidades, não abriam mão de discursos dirigidos aos trabalhadores urbanos. Em um de seus discursos, Nilo Peçanha disse: “O mundo não pode ser mais o domínio egoístico dos ricos, e (...) só teremos paz de verdade, e uma paz de justiça, quando nas nossas propriedades (...) e nas nossas consciências, sobretudo, forem tão legítimos os direitos do trabalho como os do capital. Não é mais possível a nenhum governo brasileiro deixar de respeitar, dentro da ordem, a liberdade, a liberdade operaria, o pensamento operário.”[4].

Ainda no plano político, às insatisfações das oligarquias regionais se somam um movimento original que surgiu entre jovens oficiais do exército na década de 1920: o tenentismo. Explicar o fenômeno do tenentismo requer um texto a parte. Sendo assim, basta que fique claro aqui que o tenentismo pregava, em linhas gerais e não muito claras, uma espécie de moralidade no sistema político – uma das principais bandeiras dos tenentes era o voto secreto. Em 1922 ocorreu um levante tenentista no Rio de Janeiro contra o presidente Arthur Bernardes. Dois anos depois outro levante tenentista, em São Paulo e no Rio Grande do Sul daria origem a Coluna Prestes, que percorreu o interior do país, ameaçando, constantemente o governo federal. Com a eleição de Washington Luis, em 1926, a Coluna se dispersou e seus membros se engajaram em outros tipos de luta contra o governo oligárquico. Alguns tenentes como Luis Carlos Prestes e Miguel Costa, acabaram por adotar ideias mais a esquerda, enquanto outros como Juarez Távora, se alinharam com a direita. Além disto, os jovens oficiais que participaram do tenentismo atuariam de forma decisiva em alguns dos principais acontecimentos políticos até o golpe de 1964.

Nas primeiras décadas do século XX, o operário brasileiro viva de forma muito precária, semelhante aos primeiros anos da Revolução Industrial inglesa: sem perspectiva de viver muitos anos nas fábricas, sem jornada de trabalho definida, sem direito a férias, previdência ou qualquer garantia de estabilidade no emprego. Um trabalhador passava 30 anos trabalhando em uma fábrica, se ficasse doente ou impossibilitado de exercer suas atividades era simplesmente demitido; e a quem recorrer? O Estado não lhe dava assistência. Talvez virasse um mendigo ou um meliante. O Estado era controlado pelas oligarquias como se fosse uma de suas fazendas ou fábricas. A situação dos trabalhadores assalariados, era tratada como caso de polícia (será diferente nos dias de hoje?).

Mas os trabalhadores também mostravam sua insatisfação. Eles organizaram greves, como as de 1917 e 1919, e criaram em 1922 o primeiro partido nacional do Brasil: o Partido Comunista do Brasil (PCB).

Do lado oposto dos trabalhadores, estavam os capitalistas brasileiros. Muitos surgiram com a expansão do comércio em algumas cidades como Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre, Salvador, Belo Horizonte. Entretanto, esses capitalistas estavam intimamente ligados às oligarquias. Sua expansão industrial estava de certa forma condicionada aos lucros do comércio internacional do café e das demais matérias primas. Alguns empresários não suportavam essa situação e também entravam na briga, quando podiam, contra a elite oligárquica. O exemplo mais ilustrativo dessa situação é a formação do Partido Democrático em São Paulo, no ano de 1926. Este partido teve sua origem numa dissidência do Partido Republicano Paulista.

Com este quadro social se apresentaram duas candidaturas para as eleições de 1930: a de Júlio Prestes, representante da velha oligarquia do Partido Republicano Paulista, e a de Getúlio Vargas, representando a Aliança Liberal – união dos Partidos Republicanos do Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Paraíba; mais o Partido Democrático de São Paulo. O governador mineiro, Antônio Carlos se juntou à Aliança pois o presidente Washigton Luis rompeu a política do café com leite quando indicou para sua sucessão o paulista Júlio Prestes – na tentativa de manter a política de valorização do café paulista em tempos de crise.

As candidaturas foram lançadas. “A polícia do Rio de Janeiro não permitiu que a Aliança Liberal alugasse um cinema, então Getúlio lançou sua candidatura num comício em praça pública, apresentando coisa inédita, um programa de governo”[5]

O programa da Aliança Liberal foi, sem dúvida, o mais avançado da época. Inspirados no reformismo de alguns governos da América Latina, tal como no Uruguai de José Batlle e na Argentina de Hipólito Yrigoyen (e nos avanços da Revolução Mexicana), os aliancistas sabiam que a política deveria avançar socialmente, no sentido de trazer melhores condições de vida para o nascente e cada vez maior operariado urbano. Salário mínimo, férias, 8 horas de trabalho por dia, previdência social, reforma agrária e sindicalização já constam no programa da Aliança Liberal.

A campanha foi acirrada. Após as eleições, onde houve fraude de ambos os lados (como era de costume na época), a vitória ficou com o paulista Júlio Prestes. Setores mais radicais da Aliança Liberal, como Osvaldo Aranha e Flores da Cunha, ambos do RS, passaram a articular com os tenentes para derrubar o governo – alegando, ironicamente, fraude nos resultados eleitorais. O plano para uma revolução política só foi concretizado quando o governador (na época chamado presidente de estado) da Paraíba, João Pessoa, foi assassinado. Embora os motivos não tenham a ver diretamente com a política nacional, a morte do governador paraibano acabou servindo como estopim para que os revolucionários colocassem em prática seus planos.
Getúlio Vargas na Revolução de 30.

“No dia 3.10.1930, a Guarda-Civil, a Brigada Militar e populares tomaram de assalto o quartel general, o arsenal, o quartel da Praça do Portão e a guarnição do Morro do Menino Deus”[6] em Porto Alegre. Tem início a primeira e única revolução verdadeiramente popular na história do Brasil. De Porto Alegre os revolucionários seguem de trem até São Paulo e daí para o Rio de Janeiro. Antes mesmo de chegarem, uma junta de militares depôs Washington Luis para, em seguida, entregar o poder a Getúlio Vargas.

Com a vitória da Revolução de 1930, o país entra em uma nova fase econômica, social e política. O Estado brasileiro é praticamente criado nos anos de governo Vargas (1930-1945). O federalismo conservador é esvaziado, criando a brecha para que novas políticas nacionais entrassem em vigor. A industrialização ganha um novo fôlego para a economia do país. Ao mesmo tempo em que o governo vai garantir as revindicações dos trabalhadores e que já estavam previstas no programa da Aliança Liberal. Começa a gestação do trabalhismo brasileiro. A oligarquia paulista, isolada do poder, passa a se articular e conspirar, ganhando força, com ajuda dos Estados Unidos, após a Segunda Guerra; conseguindo dar um golpe que tira Vargas da presidência em 1945. O legado da Revolução de 1930 se radicaliza nos anos 1950 e 1960 – culminando com o golpe de 1964 contra o trabalhismo.


Notas:

[1] Fotos disponíveis em: http://wp.clicrbs.com.br/almanaquegaucho/2013/03/14/olavo-dutra-e-a-revolucao/?topo=13,1,1,,,13

[2] FAUSTO, Bóris. A Revolução de 1930. In: MOTA, Carlos Guilherme. Brasil em perspectiva. Rio de Janeiro: Editora Bertrand Brasil, 1988, p.245.

[3] Para saber mais, leia o texto americanista de Melo e Freitas: Lei Áurea: uma contra revolução brasileira, disponível em: http://geaciprianobarata.blogspot.com.br/2014/06/lei-aurea-uma-contra-revolucao.html

[4] FERREIRA, Marieta de Moraes; PINTO, Surama Conde Sá. A Crise dos anos 20 e a Revolução de Trinta. Rio de Janeiro: CPDOC, 2006, p. 7.

[5] FLORES, Moacyr. História do Rio Grande do Sul. Porto Alegre: Nova Dimensão, 1988, p. 118.

[6] FLORES, Moacyr. História do Rio Grande do Sul. Porto Alegre: Nova Dimensão, 1988, p. 118.



Sobre o Autor:
Fábio Melo
Fábio Melo. Membro Permanente e fundador do Grupo de Estudos Americanista Cipriano Barata. Pesquisa sobre História Social da América e Educação na América (América Latina e Estados Unidos). Produtor e radialista do programa "História em Pauta" na rádio La Integracion. Tem diversos textos escritos sobre educação, cultura e política. 

Getúlio Vargas (Frase)

“Eu sempre desconfiei muito daqueles que nunca me pediram nada. Geralmente os que sentam à mesa sem apetite são os que mais comem.”


Getúlio Vargas





TRABALHISMO BRASILEIRO ( Verbete)

O trabalhismo brasileiro surge como uma corrente política juntamente com os avanços do processo de industrialização no Brasil, a partir da década de 1930; ao mesmo tempo em que as revindicações operárias se tornam cada vez mais constantes no cenário político nacional.

As raízes do trabalhismo brasileiro, entretanto, devem ser buscadas na virada do século XIX para o século XX. É neste período que emergem entre os (até então poucos) operários nas grandes cidades as lutas por melhores condições de trabalho e de vida. Estes operários são influenciados basicamente por 3 ideologias que tem origem na Europa: o mutualismo, o socialismo e o anarquismo.

Até 1917, é o anarquismo que ganha os corações e as mentes do movimento operário. As greves deste ano, que estouraram no Brasil inteiro, foram lideradas por anarquistas. Nada mais apropriado, afinal o Estado brasileiro foi feito para poucos e para poucos. As oligarquias governam o país como se governassem uma empresa privada. Não havia qualquer tipo de amparo social deste Estado para com os trabalhadores – as jornadas de trabalho chegavam a durar mais de 12 horas e após anos trabalhando não havia qualquer tipo de previdência social. A revolução russa, modificou as ideias de muitos líderes anarquistas. Para estes, o movimento operário não deveria mais acabar com o Estado, mas toma-lo. Foi adotado o marxismo leninismo no lugar do anarquismo

Nos anos 1920, as contradições da república oligárquica se mostraram mais intensas. No plano político, surgiram muitas dissidências ao projeto hegemônico da oligarquia de São Paulo – que dominavam política e economicamente o país. Socialmente, o movimento Tenentista mostrava a insatisfação de jovens militares com a política nacional; o mais voloroso líder tenentista é o Cavaleiro da Esperança Luis Carlos Prestes. Enquanto nas galerias de arte, intelectuais, escritores, poetas e pintores prestigiam a Semana de Arte Moderna, nas reuniões operárias surge o Partido Comunista do Brasil (filiado a 3º Internacional).

No fim dos “loucos anos 1920”, vem a maior crise econômica do mundo, iniciada com o crack da bolsa de Nova York. A crise põe em dúvida os rumos da política e da economia brasileira. A oligarquia se dividiu em torno da seguinte questão: que fazer agora? Continuar com o modelo agro-exportador (prejudicado com a crise), ou investir na diversificação da economia nacional, abrindo espaço para maior industrialização? Com a divisão da oligarquia, rompe-se o pacto café com leite. Parte da oligarquia paulista quer continuar com a economia exportadora do café, outra parte quer investir na industrialização.

Neste complicado jogo intra-oligárquico, os opositores dos paulistas formaram a Aliança Liberal, encabeçada pelo gaúcho Getúlio Vargas, como candidato a presidente nas eleições de 1930. Os paulistas e seus aliados, lançaram à presidência o candidato Júlio Prestes. Houve fraude de ambos os lados, mas no fim Julio Prestes vence. Vargas e seus aliados da Aliança Liberal recorrem à revolução política: “que se faça a revolução antes que o povo faça”. Mesmo que parte da elite não quisesse uma revolução popular, a Revolução de 1930 foi uma das mais populares da história do Brasil. O povo participou. Operários participaram. A classe média participou. E assim, Vargas se torna presidente. A revolução foi vitoriosa.
Getúlio Vargas.

O governo de Getúlio vai de 1930 até 1945. Este período se dividiu em momentos de tensão, de extremismos e de efervescência política. Vargas abraça muitas revindicações do PCB, e quase esvazia o movimento comunista. Com a ascensão do nazi-fascismo na Europa, surge no Brasil o integralismo. Há uma tentativa de revolução comunista em 1935, liderada por Luis Carlos Prestes e que acaba fracassando. Em 1937, Vargas decreta o Estado Novo. Em 1938 é a vez dos integralistas tentarem tomar o poder, mas também fracassam. Em 1942 são consolidadas as leis sociais do trabalho que vinham sendo promulgadas desde 1930 com a criação do Ministério do Trabalho – a conhecida CLT: Consolidação das Leis do Trabalho. Também neste período os sindicatos são estimulados. A intenção de Vargas é trazer o movimento operário para dentro do processo de industrialização do país, garantindo boas condições de trabalho aos operários da indústria.

Com o fim da segunda guerra mundial, o primeiro governo Vargas chega ao fim. O país clama por uma organização democrática. Vargas é deposto por militares e organiza dois partidos que tem essências distintas: o PSD (Partido Social Democrático), composto por burocratas do Estado Novo e alguns industriais, e o PTB (Partido Trabalhista Brasileiro), composto em sua maioria de operários e sindicalistas. É no PTB que a ideologia trabalhista vai se desenvolver.

Após a fundação do Partido Trabalhista Brasileiro, sob a inspiração de Vargas, o trabalhismo passa por três fases. A primeira que vai mais ou menos de 1947 até 1960 é marcada pela sistematização e elaboração da ideologia trabalhista. A segunda fase, que vai de 1960 até 1964 é marcada pela radicalização dos ideais trabalhistas. A terceira fase, de 1979 até 2004, é marcada pela aproximação do trabalhismo com o socialismo.

A fase de 1947 até 1960 tem como principal figura o teórico Alberto Pasqualini. Trazendo referências que vão do catolicismo ao trabalhismo inglês, Pasqualini elabora uma ideologia trabalhista baseada no que ele chama de capitalismo solidarista. Este capitalismo seria controlado no sentido de se adequar às demandas sociais, diminuindo as desigualdades. O trabalho teria primazia ao capital. Com a morte do conservador Pasqualini, em 1960, a ideologia trabalhista foi se radicalizando muito mais pela prática do que pela teoria. O governo de Leonel Brizola (do PTB) no Rio Grande do Sul mostrou o quão revolucionário era o potêncial do trabalhismo brasileiro. Em 5 anos de governo, Brizola construiu escolas, encampou empresas estrangeiras (antes de Cuba fazer sua revolução!) e realizou uma reforma agrária no Estado. E é exatamente a partir da experiência de governo de Brizola que o trabalhismo vai se transformar no projeto mais radical da esquerda brasileira.

Inaugura-se, desta forma, a segunda fase do trabalhista brasileiro. É uma fase curta. Dura somente até 1964, pois foi ceifada por um golpe civil-militar.

Ao tomar posse como presidente em 1961 (após a resistência da Legalidade comandada por Leonel Brizola), João Goulart (o Jango) tenta pôr em prática as Reformas de Base. Essas reformas dariam ao Brasil uma nova cara: a de um país mais justo socialmente. Reforma urbana, agrária, econômica e educacional eram as principais pautas das Reforma de Base. Com o golpe, o projeto trabalhista de nação foi suspenso, caiu-se sobre a sociedade uma longa e cruel ditadura que durou até 1985.

Durante a ditadura, haviam apenas dois partidos: a Aliança Renovadora Nacional (ARENA) e o Movimento Democrático Brasileiro (MDB); ambos criados pelos militares. Mesmo que muitos trabalhistas tenham ingressado no MDB, este partido não tinha nenhum grande projeto trabalhista para o país. Ironicamente a população dizia que o partido ARENA era o partido do “sim” e o MDB o partido do “sim senhor”.

Brizola e Arraes 1978.

Enquanto o Brasil ainda vivia sob as torturas da ditadura, Brizola, exilado político, entrou em contato com as ideias de socialismo e social-democracia em vigor na Europa nos anos 1970. Em Lisboa, no ano de 1979, trabalhistas e socialistas brasileiros se reuniram para debater os novos rumos do trabalhismo – uma vez que a ditadura estava desgastada e iniciava um processo (“lento, gradual e seguro”) de abertura política. Neste encontro foi redigida a Carta de Lisboa, que se tornou um documento tão importante para os trabalhistas como é a Carta Testamento de Getúlio Vargas. A partir da Carta de Lisboa, os ideias trabalhistas são retomados, mas desta vez como parte de um projeto mais amplo, onde o trabalhismo é o caminho brasileiro para o socialismo; mas não qualquer socialismo, um socialismo original, tipicamente brasileiro, um socialismo moreno. Diz, a Carta de Lisboa: “impõe-se a nossa defesa dos pobres contra os ricos, ao lado dos oprimidos contra os poderosos”.

Quando Brizola e outros líderes recebem a “anistia” do governo militar brasileiro, eles tentam refundar o PTB, uma sigla carregada de história e simbologia. Entretanto, o próprio governo militar dá as três letras que para muitos representava o autêntico trabalhismo, a um grupo de direita, que nada tinha a ver com as lideranças que redigiram a Carta de Lisboa. Brizola decide fundar outra sigla com os seus companheiros trabalhistas. Surge assim o Partido Democrático Trabalhista (PDT), que representa o “auge” da terceira fase do trabalhismo brasileiro.

Hoje, ainda há partidos que se dizem trabalhistas. Mas será que defendem as verdadeiras reformas do trabalhismo brasileiro?

Sobre o Autor:
Fábio Melo
Fábio Melo. Membro Permanente e fundador do Grupo de Estudos Americanista Cipriano Barata. Pesquisa sobre História Social da América e Educação na América (América Latina e Estados Unidos). Produtor e radialista do programa "História em Pauta" na rádio La Integracion. Tem diversos textos escritos sobre educação, cultura e política. 

O Estado Novo (1937-1945).(Perguntas de Vestibular)

O Estado Novo foi um período da história politica do Brasil que ocorreu entre 1937 à 1945.

Nesse período o presidente Getúlio Vargas criou diversas melhorias sociais como a CLT e investimentos em infra-estrutura. Porém o período também ficou conhecido por uma politica ditatorial imposta pelo presidente.

Vamos responder algumas perguntas de vestibular sobre esse período!!
    



Sobre o Autor:
Felipe Carreira
Felipe Carreira. Historiador e técnico em informática. Especialista em uso de mídias e tecnologias em educação. Estuda sobre a pirataria no Atlântico com ênfase no século XVII e XVIII. Criador deste espaço virtual para o GEACB. Produz vídeos e documentários sobre a História da América,.