Programa História em Pauta Nº 28 (Grande Othelo)

Programa História em Pauta, edição 28, com o convidado Orson Soares, que nos explicou um pouco sobre a trajetória de seu pai, Grande Otelo. Para muito além de apenas as chanchadas e o filme Macunaíma. O personagem do livro que será lançado em breve pelo nosso convidado foi articulista de jornal, compositor de sambas com crítica social, cantor, poeta, ator de teatro de revista e tradicional, televisão e cinema, sindicalista, envolvido primeiramente com o comunismo do PCB e depois com o trabalhismo do PTB. Era também uma pessoa que valorizava a América Latina, possuindo um ponto de convergência e alguma influência de Charles Chaplin. Contribuiu decisivamente para a regulamentação da profissão de ator, e enfrentou diversas tragédias e dificuldades que o acompanharam durante a sua vida, entre elas a vigilância da ditadura de primeiro de abril. Mas através da arte superou todas as adversidades que foram apontadas no programa. Nasceu durante a República Velha e fez mais de uma centena de filmes, sua pauta particular era o negro brasileiro. Esta edição de nossa reunião de estudos foi feita em homenagem a Renata Dariva Costa, integrante do Coletivo Fanom, por ter se graduado no dia em que o programa foi gravado. Tivemos participações de Bruno Da Costa Ribeiro e Lu Albuquerque.

Trechos da conversa:

Orson Soares sobre os dois anos de História em Pauta: “Dois anos de um espaço que pretende e tenciona sempre pensar as questões sociais, principalmente a América Latina, o Brasil. Vocês estão de parabéns pela iniciativa em um momento aonde os modismos na História estão muito presentes, nós precisamos de espaços aonde se possa fazer uma resistência e fazer um espaço de reflexão pra que possamos ter debates interessantes e debates em direção a emancipação humana.”

Orson Soares sobre Grande Otelo: “Otelo representa o homem do povo, é aquela figura que luta no dia a dia, que é trabalhador, que tem que gingar, ter jogo de cintura, e tentar passar pelas adversidades que são colocadas pelas elites nacionais da melhor maneira possível. Então Otelo é uma figura que representa esse povo que luta diariamente e isso na trajetória de Otelo sempre foi uma comunicação muito clara das classes populares se enxergarem na figura de Otelo e o Otelo representar essas classes populares não de maneira estereotipada, mas de uma maneira digna.”

Orson Soares dá um recado aos fascistas: “Eu quero dizer pros nossos fascistas de plantão que nós vencemos vocês na Segunda Guerra e vamos vencer de novo, em qualquer campo de batalha. Nós vamos vencer, e mais, como no filme O Tigre Branco, nós temos que destruir essa concepção de mundo, e nós vamos destruir. Para que o ser humano sobreviva, e não essa coisa, esse Retrato de Dorian Gray que são vocês. Nós não somos assim. E a emancipação é para todos, inclusive para vocês.”


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