Livro: Lucro: uma história ambiental
Autor: Mark Stoll
Editora: Edições 70
Ano: 2023
Qual o impacto ambiental das sociedades humanas? Quais consequências para o meio ambiente e para a natureza do capitalismo de consumo desenfreado dos dias atuais? Essas são perguntas que o historiador Mark Stoll se empenha para responder na obra "Lucro: uma história ambiental".
No livro, Stoll faz um grande esforço de apresentar de quais formas os seres humanos impactam a natureza, desde os tempos mais primórdios, onde a espécie humana ainda se restringia a grupos de caçadores-coletores, até a era atual capitalista. Evidente que, ao longo do desenvolvimento das sociedades modernas, forjadas sob o espectro do colonialismo, imperialismo, escravidão e da ascensão da indústria, com a revolução industrial, o impacto humano ao meio ambiente ganhou contornos muito mais dramáticos e apocalípticos. Os recentes eventos climáticos extremos, enchentes, incêndios e secas são um exemplo disso.
A poluição no ar, nos mares e oceanos; a extração mineral; fertilização com compostos químicos dos solos agrícolas e o uso indiscriminado de pesticidas; o uso de energia nuclear e do plástico. Todos esses itens são abordados como causadores de uma mudança climática e ambiental com potencial desastroso para os seres humanos. E isso se soma ao modelo capitalista, na qual as sociedades estão assentadas, que impacta de forma diferente ricos e pobres, países desenvolvidos e em desenvolvimento (subdesenvolvidos). Também são apontadas as responsabilidades das grandes empresas que lucram com a destruição dos recursos naturais.
TRECHOS DO LIVRO:
"Como é que o crime ambiental que é o smartphone foi parar nas mãos de milhares de milhões de pessoas que têm muito pouca noção dos seus custos ambientais?" (p. 18).
"Em 2021, a Amazon era a empresa mais valiosa do mundo, e o seu fundador, Jeff Bezos, a pessoa mais rica do planeta. Contrariamente à U.S. Steel, à Standard Oil ou à GM, a Amazon.com não produz praticamente nada. Herdeira mais dos grandes armazéns do que da fábrica ou refinaria, a empresa serve de intermediária entre produtores e consumidores" (p. 249).
"Desde a Revolução Industrial até a década de 1960, as pessoas especulavam, muitas vezes entusiasticamente, a respeito do futuro e das maravilhas que ele traria. O ano 200 chegou sem grandes previsões em relação ao grande e glorioso século ou milênio que estava pela frente. O cinismo e o pessimismo dominavam o estado de espírito" (p. 257).
"A partir da Cúpula de Estocolmo de 1972, as nações mais pobres deixaram claro que o desenvolvimento econômico, e não as questões ambientais, eram para elas prioritárias. Isso, claro está, representa um enorme obstáculo para a viabilização das propostas dos cidadãos das nações ricas do hemisfério norte no sentido de desmantelar o capitalismo para salvar o ambiente" (p. 305).
"Os ambientalistas nunca falaram a uma só voz. Muitos atacavam o consumo como uma escolha moral individual, como se a escolha de comprar um carro elétrico, de reciclar e de comer alimentos biológicos salvasse, por si só, a Terra. As empresas favorecem esta perspectiva, visto que ela deposita a responsabilidade pelos problemas ambientais nos consumidores e não nelas" (p. 314).
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