É inconcebível em tempos de acirramento das lutas de classes históricas, de IA, narcotráfico/violência galopante, neocolonização, neofascismo, belicismo e depredação ambiental beirando o colapso irreversível imperialista sem precedentes por todo o planeta, que numa economia de arcabouço (calabouço) fiscal - PIB - de destaque (para qual classe?) como a brasileira, onde nossa classe dominada, proletariado, indígenas, quilombolas, campesinos seguem cada vez mais oprimidas, espoliadas, vilipendiadas, que o pelego mor neoliberal entreguista dom moluscone Lula PT, tenha "atravessado" livre e leve seu mandato de frente ampla burguesa, em "lua de mel" com o Imperialismo e as esquerdas cirandeiras conciliadoras de classes, sem ser importunado, pressionado, cobrado por pelo menos uma greve geral. Que paralisasse a produção por todo o país. Como se fosse por uma agenda mínima de pautas pelo menos reformistas (econômicas sindicais salariais). Jornada 6 x 1, nas ruas? Nem em sonho!
COM A BUNDA EXPOSTA NA JANELA PARA PASSAR A MÃO NELA (Gonzaguinha)
Análise da música "Espártaco, Gladiador Rei", da banda Santuário
Rafael Freitas: professor de História.
Victor Raúl Haya de la Torre e a tese do imperialismo como primeira etapa
Dilthey chega à conclusão que as ciências sociais são produtos históricos e têm sua validade historicamente limitada. Suas verdades não são verdades absolutas como dois mais dois é igual a quatro. As verdades, os conhecimentos produzidos pelas ciências do espírito não são desse tipo, são verdades e conhecimentos historicamente relativos. E isso vale para o conjunto de produções culturais da sociedade. (1989, p. 74)
Homenagem a Víctor Raúl Haya de la Torre (1964). Fonte: https://arkivperu.com/homenaje-a-haya-de-la-torre-1964/
Sobre o autor:
GUIA DE ESTUDOS: A História do Brasil mostra que só é nacional o que é popular
REVOLTA DOS PROFESSORES EM CANOAS – A GREVE HISTÓRICA DE 2026
Reposição salarial. Pagamento do piso nacional. Quadro completo de professores nas escolas. Salas de aula superlotadas – espaços onde cabem 20 alunos são abarrotadas com 35; muitas sem ar-condicionado em temperaturas que chegam a 49 graus! Enquadramento na categoria de profissionais da educação para profissionais da educação infantil. Melhorias no plano de carreira. Segurança nas escolas. Inclusões reais de alunos atípicos, com atendimento especializado e não simplesmente jogados em escolas sem estrutura e profissionais para atendê-los. São muitas demandas, mas todas elas urgentes para os professores no município de Canoas.
Para que todas essas demandas sejam cumpridas, os professores de Canoas organizaram a maior greve da categoria desde 1992! Nunca antes na história do município, tantos professores paralisaram e exigiram seus direitos, repudiados sistematicamente pelas sucessivas administrações municipais.
É curioso que Canoas, o município com o 3 maior PIB do estado e uma arrecadação bilionária, tenha tanta dificuldade em oferecer um plano de carreira decente para seus profissionais da educação. Também é inaceitável que um município com economia tão robusta tenha tantas escolas sem a mínima estrutura para conforto climático.
As articulações para um movimento forte dos professores de Canoas, iniciaram ainda em fevereiro, em reuniões no Sindicato dos Profissionais em Educação Municipal de Canoas (SINPROCAN). Na ocasião, as aulas ainda não haviam começado. Pelo calendário escolar de 2026, o início do ano letivo era dia 06 de fevereiro. Após uma reunião no sindicato e a ameaça de paralisação, a prefeitura resolveu adiar o início das aulas para dia 20 daquele mês, em meio a uma intensa onda de calor no estado, e com a maioria dos alunos sem conforto climático nas escolas – pois a prefeitura não instalou os equipamentos de ar-condicionado.
Com o início do ano letivo, os professores começaram a sentir na pele a precariedade da educação no município. Todas escolas iniciaram o ano sem o quadro completo. Para atender as turmas, professores de uma matéria passaram a dar aula de outra. Por exemplo, professores de matemática dando aula de educação física. Professores de português dando aula de biologia etc. Sem um profissional adequado na sua respectiva área do conhecimento, como as crianças vão aprender os conteúdos? Como os “índices” vão ser bons?
Essa falta de professores no início do ano letivo é simplesmente inexplicável: visto que o município fez concurso em 2025. Porque não chamou a tempo os aprovados?
Em meio a esse caos de falta de recursos humanos, temos o grave problema das falsas inclusões. Para os gestores da prefeitura e a Secretaria de Educação, a inclusão é simplesmente jogar crianças atípicas numa sala de aula. Porém, sabemos que existem vários tipos de crianças atípicas: autistas, deficientes intelectuais, deficientes motores entre outros. A prefeitura de Canoas não oferece atendimento e espaço adequado para as atipias de cada criança. Algumas nem poderiam frequentar o ambiente escolar regular, mas sim escolas especializadas. Infelizmente muitas famílias não se atentam a isso, pois sem saber dos seus direitos, e sem uma estrutura pública que a oriente, vê na escola uma espécie de “depósito” onde pode ser “livrar” do seu filho atípico por algumas horas. Ocorre que, quem acaba sofrendo com isso são os professores, uma vez que, sem monitores para auxiliar, tem que lidar com 32 crianças em sala de aula, e mais 3 ou 4 inclusões. Isso torna o trabalho docente simplesmente impraticável!
Em cerca de um mês após o retorno das aulas, a situação ficou insustentável. A falta de professores colapsava a organização das escolas. A prefeitura, diante disso, anunciava prazos. E quando esses prazos chegavam, nada mudava.
Diante do caos na educação pública de Canoas, foi organizada uma paralisação por respostas das grandes demandas da categoria. Assim, no dia 14 de abril praticamente todas escolas paralisaram pedindo respostas à prefeitura de Canoas: quando teremos mais professores nas escolas? Quando os alunos atípicos serão atendidos de verdade? Quando a categoria receberá seu aumento real de salário, que não é feito há 24 anos?
A prefeitura, sob o governo de Airton Souza (PL), ficou sob pressão. O que se seguiu foi uma grande mobilização, que chegou a contar com quase 1 mil professores na frente da prefeitura de Canoas. Algo nunca antes visto no município! As mobilizações ficaram mais fortes ao longo dos dias 15, 16 e 17 de abril e a categoria decidiu por entrar em greve. No dia 22 de abril, primeiro dia de greve, uma passeata pelas ruas do centro, esclareceu a população sobre os motivos da greve. Importante salientar, muitas mães e responsáveis de alunos estavam juntos aos professores, contribuindo e apoiando o movimento.
Ao longo de 23 dias, inúmeras reuniões foram feitas entre a prefeitura, direção sindical e comando de greve. As propostas enviadas pelo governo bolsonarista de Airton Souza, nunca contemplavam o mínimo que a categoria exigia. A prefeitura sempre alegava contenção de despesas e falta de verbas públicas. Porém, ao longo da greve, com o apoio de parlamentares do PT e PSOL, Sofia Cavedon, Luciana Genro e Laura Sito, ficou mais do que evidente que Canoas possui recursos, mas a má gestão não os aplica direito.
No dia 28 de abril, uma comitiva de grevistas foi ao encontro dos vereadores de Canoas solicitar apoio e que eles cobrassem do prefeito as verbas destinada a educação. Os vereadores, com exceção de Gabriel Constantino e Emilio Neto (ambos do PT), titubearam em realizar seu trabalho: fiscalizar o executivo.
No dia 30 de abril um golpe abalou o movimento grevista. Os vereadores, que dias antes declaram apoio aos professores, votaram uma proposta do prefeito na qual o reajuste da inflação foi parcelado em 6 vezes! Esta manobra foi um golpe, pois não passou por negociação com a direção sindical e comando de greve. Ainda assim, esse reajuste “beneficiou” todos servidores do município – que não receberiam nada ou receberiam em 12 vezes, como queria a prefeitura, se não fosse o poder dos professores em greve.
Ao longo de quase um mês, denúncias surgiram contra a prefeitura e que, inevitavelmente entravam na pauta da greve. Uma das mais polêmicas foi o obscuro contrato da prefeitura para o programa Conecta+, que ultrapassa os 40 milhões! Qual a finalidade desse programa? Nenhum professor foi consultado sobre. Com o dinheiro desperdiçado neste programa pedagogicamente ineficaz, quantas escolas poderiam ser construídas?
A truculência da prefeitura e a falta de diálogo se agravou na última semana de greve, entre os dias 11 e 15 de maio. O prefeito e seus assessores, simplesmente fecharam a porta para qualquer negociação, indo contra orientações judiciais inclusive, que dão um prazo legal para negociações entre sindicato e prefeitura. Essa situação chegou até a Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul, que requisitou uma audiência com o prefeito.
No dia 15 de maio, em assembleia, os professores decidiram pelo fim da greve. Foi uma decisão estratégica, pois a luta segue por via judicial, com prazos próprios. Ou seja, o prefeito saiu derrotado. Agora ele terá que explicar porque aplica apenas 23% dos recursos municipais na educação, quando o mínimo é 25%? Onde estão esses 2% que faltam, e que contabilizam alguns milhões de reais? Qual fundamento para o contrato milionário do Conecta+? Por que a prefeitura se recusou a negociar? São questões que em breve devem ser respondidas.
De qualquer forma, uma coisa é certa: os professores de Canoas fizeram história!
Cartazes de professores sobre as reivindicações da categoria:
RESENHA DE LIVRO: “A que custo?”
Livro: A que custo? O capitalismo (moderno) e o futuro da saúde
Autor: Nicholas Freudenberg
Editora: Elefante
Ano: 2022
Quais os custos individuais e sociais do capitalismo? Quais impactos na saúde física e mental de trabalhadores, homens e mulheres, das grandes corporações? Como construir alternativas sólidas e coletivas de resistência e enfrentamento ao sistema? Essas e outras questões importantes são abordadas no livro “A que custo? O capitalismo (moderno) e o futuro da saúde”, escrita pelo professor de saúde pública da Universidade da Cidade de Nova York Nicholas Freundenberg.
Ao longo de mais de 500 páginas, o professor Freundenberg destrincha o custo social, ambiental, físico e mental que o capitalismo moderno vem causando na humanidade. Para isso, o autor divide o livro em cinco “pilares da saúde”: alimentos, educação, sistema de saúde, trabalho, mobilidade urbana e relações sociais. Em cada um destes cinco pilares, Freudenberg analisa os impactos nocivos do capitalismo, tal como está estruturado hoje: grandes corporações, redes sociais que promovem o individualismo e o consumismo, trabalho precarizado, privatização da saúde pública etc. Publicado originalmente em 2021, o autor traz também os impactos da pandemia global de covid-19 nos seus 5 pilares da saúde.
Embora a obra tenha um foco maior nos Estados Unidos, é perfeitamente possível fazer associações com o Brasil, visto que aqui também se adotou um receituário neoliberal para gerir o capitalismo brasileiro.
TRECHOS DO LIVRO:
“A crise financeira de 2008 poderia ter sido um ponto de virada. Poderia ter levado o povo e o governo dos Estados Unidos a examinar de maneira mais detida se a crescente influência da economia de mercado na vida cotidiana precisava mudar. Mas não houve mudança. Em vez disso, durante a última década testemunhamos a deterioração da saúde de muitos estadunidenses, o endividamento crescente, a desigualdade sistemática, o aumento da mão de obra com baixos salários, a desconfiança da maioria das instituições sociais, conflitos políticos aparentemente irreconciliáveis e o agravamento do aquecimento global. Poderá o declínio econômico global desencadeado pela pandemia de covid-19 proporcionar outra oportunidade para construir alternativas?” (p. 42).
“As longas jornadas de trabalho, as tarefas de cuidado da casa e dos filhos e o tempo necessário para alocar recursos limitados para assegurar a sobrevivência do ambiente familiar impõem, muitas vezes, um sentimento de urgência temporal aos trabalhadores mal-remunerados, uma sensação associada a problemas de saúde mental e física […]. Tanto os ricos quanto os pobres experimentam a escassez de tempo, mas os ricos podem comprar tempo de volta no mercado. Podem, por exemplo, pagar empregadas domésticas para limpar a casa, babás para cuidar dos filhos e contadores para elaborar a declaração de impostos. Para os trabalhadores mal-pagos, o fardo adicional da escassez de tempo esgota ainda mais a capacidade de proteger a saúde” (p. 318).
“Hoje, embora o capitalismo global tenha características próprias, ele não é monolítico ou homogêneo, mas varia ao longo do tempo e lugar. Cada variante tem arranjos diferentes para o que é público, o que é privado e quem decide o quê, e cada variante é forjada por interações locais e nacionais entre forças sociais concorrentes” (p. 464).
HQ sobre a "Revolta da Chibata"
O GEACB apresenta mais uma produção em quadrinhos sobre momentos da história do Brasil.
Desta vez o historiador Fábio Melo apresenta sua versão da Revolta da Chibata de 1910. Confira:
Leia e baixe a HQ completa:
https://drive.google.com/file/d/1Nq0Al7dzXhW0sNtkvzIQ6TIuIneqnBZH/view?usp=sharing
Cipriano Barata: a sentinela radical da soberania popular
A VERDADEIRA HISTÓRIA DO BRASIL - Desenho
VOCÊ CONHECE NELLIE BLY?
Imagine uma mulher de apenas 25 anos dar a volta no mundo sozinha em 72 dias, com apenas uma mala para seus pertences e roupas. Agora imagine isso no ano de 1889!
A propósito, nem é preciso imaginar. Esse feito realmente aconteceu. Em 1889, a jornalista Nellie Bly (cujo nome de nascimento era Elizabeth Jane Cochram) partiu de Nova York para uma impressionante volta ao mundo em 72 dias.
Inspirada pela obra “Volta ao Mundo em 80 dias” do escritor francês Júlio Verne, e pelos avanços nos transportes em fins do século 19, Bly propôs a ideia ao seu chefe, editor do jornal New York World (de Joseph Pulitzer) onde trabalhava. Ela já era conhecida por elevar o jornalismo ao extremo. Sua primeira grande reportagem impactante foi investigar as condições de vida dos internos no Hospício Blackwell, em Nova York. Na época, várias denúncias de tratamentos inadequados aos internos eram relatadas. Para descobrir se os relatos eram mesmo verdadeiros, Bly fingiu-se de louca para conseguir ser internada por 10 dias no tal hospício. Essa experiência impressionante deu origem ao livro “Dez Dias no Hospício”, publicado em 1887. O sucesso foi imediato. E lhe valeu uma promissora carreira de jornalista pelas décadas seguintes.
Em novembro de 1889, Nellie partiu de Nova York para o Reino Unido, de lá foi para a França, onde se encontrou com o famoso escritor Júlio Verne. Após o breve e agradável encontro, Bly partiu para a Itália, de lá pegou um navio para o Egito. Cruzando o Canal de Suez e o Mar Vermelho, Bly chegou às regiões que na época pertenciam ao império colonial britânico: atuais Sri Lanka, Malásia e China; e ao Japão, que não era colonial britânica, mas estava em plena Revolução Meiji (iniciada em 1868 e que deu ao país as condições de virar uma potência imperialista nas décadas seguintes).
Apesar de não muito atenta e crítica em relação à história e ao desenvolvimento econômico dos lugares por onde passou, o olhar de Bly não deixou escapar a miséria influenciada pelo imperialismo estrangeiro. No Egito, Bly testemunha uma passagem interessante:
"Mal a ancora afundou, o navio foi cercado por uma frota de pequenos barcos, guiados por árabes seminus, lutando, agarrando, puxando, gritando em sua louca pressa de serem os primeiros. Nunca em minha vida vi tal demonstração de ganância voraz pelos poucos centavos que esperavam ganhar levando os passageiros para terra. Alguns barqueiros chegavam a empurrar outros para fora de seus barcos e os jogavam na água num esforço frenético de roubar os lugares uns dos outros. Quando a escada do navio foi lançada, muitos entre eles a agarraram como se fosse questão de vida ou morte, e lá se prenderam até que o capitão fosse obrigado a mandar os marinheiros baterem nos árabes para que saíssem, o que fizeram com bastões compridos, antes que os passageiros ousassem dar um passo adiante" (2021, p. 86).
A viagem de Bly ao redor do mundo terminou em janeiro de 1890. Sua volta a Nova York foi uma festividade no país. Tornando-a ainda mais famosa.
A curiosidade de Nellie ao chegar nos lugares mais distantes e pitorescos da época, como o Egito, Sri Lanka, China e Japão, não escondem um ar de darwinismo social e higienismo. Porém, é preciso ter em mente a época em que Bly se aventurou por esses lugares. Nos países industrializados, tal como sua terra natal, os Estados Unidos, essas ideias eram parte de um arcabouço científico que se estabelecia.
Após a sua aventura pelo mundo, Bly se retirou por um tempo do jornalismo. Casou com um industrial, chamado Robert Seaman, e se dedicou a patentes inventivas para a indústria. Ao longo da década de 1910 ela se dedicou à causa sufragista nos EUA (onde as mulheres só conseguiram o direito de votar em 1920!). Durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), Bly foi a primeira mulher a visitar como correspondente uma zona de guerra na Áustria, chegando a ser presa pelos austríacos.
Nellie Bly faleceu em janeiro de 1922. Seu legado para o jornalismo e a história, porém, são inegáveis. Viajar pelo mundo, sob a ótica de Bly, ajuda a entender as culturas e os preconceitos da época, onde a globalização ainda não tinha avançado tanto como hoje; bem como as muitas consequências nefastas do capitalismo no mundo.























